domingo, 6 de junho de 2010

Na província do Cabo Ocidental, entusiasmo pelo futebol é menor




O Globo - 05-06-2010

STELLENBOSCH - Quinze anos após Nelson Mandela ter usado a vitória da África do Sul no rúgbi como ferramenta para promover a reconciliação da maioria negra com os brancos, por meio do esporte, agora, é a minoria que começa a se engajar no megaevento número 1 no coração de 79% da raça dominante na África do Sul. Na província do Cabo Ocidental, a única das nove governada pela Aliança Democrática (AD), partido de oposição dos brancos, o entusiasmo pelo Mundial é menor, mas já desperta interesse entre os que têm rúgbi e críquete como esportes prediletos.

Até mesmo na pacata Stellenbosch, famosa por seus vinhos e suas universidades, o futebol virou tema das conversas em africâner, o idioma das ruas, das famílias e do trabalho.

- Em Joburg, as pessoas passam mais vibração, mas, na Cidade do Cabo, elas são mais calmas. Não têm o ritmo frenético deles. Na hora certa, a vibração vai aparecer - explica Rijk Melck, o Ronnie, trocando o africâner pelo inglês durante a entrevista.

Diretor da Fazenda Muratie, com 150 anos de tradição na produção de vinhos na região, Ronnie não é fã de futebol, mas já se contagiou pelo clima da Copa. Acostumado a acompanhar os jogos do Stormers - vice-campeão do Super 14 de Rúgbi --, o vinicultor juntou um grupo de 16 amigos brancos e comprou ingressos para França x Uruguai, no dia 11, o primeiro jogo do Mundial na Cidade do Cabo, distante apenas 43 quilômetros.

- Não poderia ficar fora disso. Gostaria muito de ver um jogo dos Bafana aqui, mas eles não atuarão na Cidade do Cabo na primeira fase. Espero que avancem - diz, em meio aos barris de vinho e brindando com uma taça de Pinot Noir, safra 2008, produzido na Muratie.

Localizada na zona rural de Stellenbosch, a Fazenda Muratie vive o clima de Copa. Ronnie deu aos funcionários gorros com as cores e os nomes de países participantes do evento. Mais uma proteção durante o inverno para quem trabalha nos campos, levando o ambiente do Mundial para uma área onde o silêncio e o verde são marcas registradas.

Inglês é o terceiro idioma

Todos os empregados são coloured (mulatos), descendentes de uniões entre brancos e negros. Conversam entre eles e com o patrão em africâner. Às vezes, precisam procurar as palavras em inglês. Principalmente, quando encontram visitantes. O inglês é o terceiro idioma mais falado na província do Cabo Ocidental, atrás do africâner e do xhosa.

- Seria emocionante ir a um jogo da seleção brasileira, mas o ingresso é caro. Vamos ver a festa pela TV - resigna-se Florina Oliphant, de 25 anos, usando um gorro do Brasil.

No sexto mês de gravidez de uma menina, que formará o casal com o menino de 5 anos, Florina nasceu e cresceu na Muratie, onde continua trabalhando nas parreiras, com a esperança de que a Copa traga um legado de melhorias para o país. Não é a única trabalhadora a pensar assim.

- Tanto investimento precisa servir para algo. É mais esperança para nossas crianças, no futuro. A África do Sul precisa muito de saúde e educação - diz Kathy Fredricks, usando seu gorro da África do Sul, ao lado do marido, Hennie, que adotou a Alemanha como segunda seleção preferida.

Na Muratie, diferentemente da enorme maioria das fazendas do país, os 18 funcionários do quadro fixo têm assistência médica, e o patrão ainda contribui com 85% de um sistema de previdência para os empregados. Também há auxílio de 15% para a educação. Durante a Copa, o grupo vai se reunir para assistir pela TV aos jogos dos Bafana. E torcer para que o megaevento inspire o time a mostrar ao mundo um país menos desigual, construindo um futuro melhor.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sabores da Itália na Fispal Food Service



Trazendo para o país a excelência de seus produtos agroalimentares, a Itália propaga uma das mais conceituadas e tradicionais gastronomias do mundo na 26ª Fispal Food Service.

Promovendo os sabores e a tradição gastronômica de suas Regiões, a Itália participa da 26ª Fispal Food Service, que acontece de 07 a 10 de junho de 2010, no Expo Center Norte, em São Paulo. Antecipando uma série de eventos que serão realizados em 2011, em comemoração ao Ano da Itália no Brasil, o Pavilhão Italiano traz uma grande diversidade de produtos como massas, molhos, azeites e vinhos, através da presença coletiva de 13 empresas.

A iniciativa é organizada pelo ICE – Instituto Italiano para o Comércio Exterior, entidade governamental ligada ao Ministério Italiano do Desenvolvimento Econômico, que atua na promoção e intercâmbio comercial e tecnológico entre a Itália e os demais países. Segundo Giovanni Sacchi, diretor do ICE no Brasil, a participação visa aumentar e diversificar as exportações de alimentos e bebidas do país Europeu com o Brasil, bem como abrir novos mercados, investir, produzir e criar novas parcerias. “As iniciativas promovem oportunidades de negócio para a indústria alimentar em mercados estratégicos e salientam a qualidade e diversidade dos produtos agroalimentares italianos”, afirma.

Dentre os produtos destacam-se: vinhos (espumantes, brancos e tintos), azeites de oliva extra-virgem, grãos e vegetais em conserva, vinagre balsâmico, molhos de tomate e massas diversas.

Cozinha Gourmet de Molise - A grande novidade do Pavilhão Italiano no evento é a Cozinha Gourmet de Molise, que apresentará receitas exclusivas de massas, risotos e polentas elaboradas com produtos típicos de Molise, junto a degustações de azeites e produtos a base de tartufo, vinhos, cafés, bolachas, doces e produtos de panificação, confeitos, salumeria e queijos de 19 empresas da Região. Comandada pela chef Hirla dos Reis, especializada na gastronomia local de Molise, a iniciativa visa promover a alta qualidade dos produtos da Região aos visitantes da feira.

Situada no centro sul da Itália, a Região de Molise destaca-se pela produção de vinhos, tartufos, azeitonas, azeites, queijos e cereais. Suas trufas, em particular, são reconhecidas mundialmente pela alta qualidade e sabor incomparável. A cozinha de Molise é tipicamente autêntica e sóbria na preparação, mas altamente genuína nos produtos e ingredientes utilizados. Prevalecem os pratos a base de massas caseiras e carnes, sobretudo cabrito e cordeiro, além dos peixes e frutos do mar na zona costeira.

Intercâmbio Brasil-Itália - Atualmente, a Itália ocupa lugar de prestígio no mercado mundial de produtos agroalimentares devido a uma série de medidas voltadas ao crescimento do setor. Incentivos públicos e privados fizeram com que a cadeia produtiva da indústria italiana crescesse a cada ano. O país dedica grande parte de sua produção às exportações, sendo a Alemanha, França, Reino Unido e EUA os seus maiores compradores. No ranking de países fornecedores de alimentos para a Itália, a Alemanha ocupa o primeiro lugar, enquanto o Brasil o sexto. Entre outros produtos, estão na pauta das exportações brasileiras: soja, café, cacau e carnes.

No Brasil a presença de produtos agroalimentares italianos já está consolidada. Os setores de maior interesse são: massas, azeites de oliva, vinhos e doces. O ICE, no Brasil, em particular, desenvolve intensa atividade na identificação de representantes e agentes comerciais, bem como de projetos de colaboração produtiva (transferências de tecnologia, concessão de licenças, joint-ventures, etc), considerados objetivo prioritário em sua estratégia neste mercado.

Empresas Pavilhão Italiano - Leonardi Giovanni: fundada em 1871, a empresa produz vinagres balsâmicos de alta qualidade, sem adição de corantes, conservados e envelhecidos em tonéis de madeira nobre. Principais produtos: vinagre balsâmico, vinagre balsâmico tradicional de Modena, condimentos agridoce, creme de vinagre balsâmico, creme de salsa com vinagre balsâmico.

Olearia Toscana: desde 1946 a empresa produz azeites de oliva extra-virgem de alta qualidade, que apresentam características organolépticas agradáveis e apreciadas pelos paladares mais exigentes. O azeite apresenta tonalidade verde escura, aroma frutado e sabor marcante.

Cantine Scambia: Ao longo dos anos a família Scambia conseguiu conservar o patrimônio genético das antigas videiras. Esta escolha produziu vinhos excelentes como o Pinot Noir que recebeu numerosos prêmios internacionais. A produção de uva por hectare é controlada e a preparação dos solos é mecanizada. Durante o processo de produção não são utilizados conservantes. Produtos: vinhos tintos, brancos, grappa, espumantes, azeite extra- virgem de oliva e mel.

Carlo Pellegrino: empresa familiar fundada em 1880 possui três unidades em operação, combinando experiência com novas tecnologias, produzindo vinhos selecionados, utilizando as variedades naturais da Região da Sicilia. Produz vinhos de mesa com a marca Duca di Castelmonte e vinhos doces e Moscatel, comercializados com a marca Cantine Pellegrino. A produção anual da empresa é em torno de sete milhões de garrafas por ano, onde 40% é exportada para países como Reino Unido, Suíça, Canadá, Estados Unidos, França, Alemanha e Japão.

CO.DA.P: multinacional especializada na produção de creme vegetal, chantily, sobremesas e bebidas. Fundada em 1960 é um dos principais produtores de chantily e líder mundial no setor de cremes vegetais.

Cons. Export: consórcio promocional de exportação italiano possui mais de 80 fabricantes associados. Dentre seus produtos encontram-se: vinhos, água mineral, produtos com tartufos, massas de vários tipos, azeite de oliva extra-virgem, farinhas especiais para pizza e antepastos com vegetais.

Feudi Della Medusa: com atividades iniciadas em 2000, numa área de 70 hectares, a produção média anual da empresa, atualmente, é de 700 mil garrafas. Localizada no sul da Ilha da Sardenha, próxima a antiga cidade de Nora (século X a.C.), produz três tipos de vinho: vinhos autóctones, obtidos com uvas típicas da Sardenha, vinhos antigos raros, produzidos com uvas provenientes dos melhores crus com idade superior a 40 anos e vinhos mitológicos, produzidos com diversos tipos de vinhas importadas, já adaptadas ao clima local.

Food Commerce: localizada no sul da Itália exporta seus itens para diversas regiões do mundo como Canadá, Austrália, norte e leste Europeu e norte da África. Sua gama de produtos inclui: tomates e vegetais enlatados, molhos de tomate, massas, azeites e produtos orgânicos, tudo 100% Made in Italy.

Imball Center: opera desde 1982 na produção de embalagens plásticas, mono filme e laminados plásticos. Produz também bolsas térmicas, sendo hoje um dos principais fabricantes da Europa. A bolsa térmica garante a qualidade do produto e facilita o transporte de congelados, in natura e medicamentos.

Molini Pizzuti: indústria italiana de moagem utiliza matéria-prima especial para produzir farinha natural de alta qualidade para o mercado profissional e varejo. Os principais produtos são farinhas para produção de pães, doces, pizzas e massas frescas artesanais. OLICAF: tradicional fabricante da Itália produz, desde 1883, diversas linhas de azeites de oliva. Sua cadeia produtiva de tecnologia avançada tem capacidade de produzir até 36 mil litros de azeite por hora, mantendo a qualidade e a tradição dos produtos.

Pasticceria Sua Maesta: desde 1990 produz itens de confeitaria, com ingredientes selecionados, através de um processo especial de fabricação, utilizando-se da experiência dos antigos mestres confeiteiros. A empresa se destaca pela produção artesanal de seus produtos, dentre eles: bombons recheados, trufas doces, amanteigados, petit four e panetones.

Zini: fundada em 1956 produz massas, macarrão e nhoque artesanais. Seus produtos passam por um rigoroso controle de qualidade, que inclui a seleção das matérias-primas utilizadas, além de não conterem aditivos e conservantes. Dentre as linhas de produtos destacam-se: massas frescas congeladas, nhoque de batata e massas para micro-ondas.

ICE – Instituto Italiano para o Comercio Exterior [www.ice-sanpaolo.com.br] - Instituição do Governo Italiano ligada ao Ministério Italiano do Desenvolvimento Econômico que, com uma rede de 117 escritórios espalhados por 87 países e outros 17 na Itália, promove os produtos, as tecnologias e os serviços italianos no mundo, dando particular atenção aos interesses e às necessidades das pequenas e médias empresas. Também trabalha para estimular o investimento direto italiano no exterior, bem como para atrair investimentos estrangeiros à Itália.

.[26 ª Fispal Food Service, de 07 a 10 de junho de 2010 – das 13h às 21h, na Expo Center Norte, São Paulo – SP.Pavilhão Italiano – ICE/ Cozinha Gourmet de Molise, Ruas F/ G, estandes 191/ 192].

O vinho tinto excita as mulheres

Já reparou que cada vez mais mulheres consomem vinho tinto? Muitas das vezes são mesmo elas que o escolhem e fazem a prova. Saiba porquê.





O interesse das mulheres pelo vinho cresceu significativamente nos últimos anos. Sobretudo pelo tinto. São elas que pede a lista de vinhos nos restaurantes e quando não o fazem não é porque não queiram, mas sim porque parece melhor ser ele a pedir.

Em casa a situação é idêntica. São elas que escolhem os vinhos para a garrafeira ou escolhem o vinho que vão servir aos convidados.
Quem se ponha a observar num restaurante, rapidamente percebe que num jantar só de mulheres é quase obrigatório as garrafas de vinho tinto estarem presentes na mesa, bem como a euforia e a satisfação ao bebê-lo. Amigos com quem falei e que estão na área da restauração foram peremptórios: as mulheres são de tal forma potenciais clientes na escolha dos vinhos que podem muito bem vir a ultrapassar os homens no hábito de consumo desta bebida nos restaurantes.

Só podia ter sexo à mistura


Comecei a interrogar-me sobre o porquê das mulheres gostarem tanto de vinho tinto. Eu própria aprecio vinho tinto e sou bastante selectiva no que toca as escolhas. Decidi, por isso, fazer uma pesquisa sobre do assunto e, claro está, descobri que, além de fazer bem ao coração (que não é novidade), também abre o apetite sexual às mulheres. Tinha de estar relacionado com sexo...

Italianas cobaias


A propósito do consumo de vinho pelas mulheres, a Universidade de Florença fez um estudo com 798 italianas com idades compreendidas entre os 18 e 50 anos.

Os pesquisadores dividiram as mulheres em três categorias, de acordo com o hábito diário de consumo de vinho: as mulheres que bebem regularmente de um a dois copos de vinho; as que não consomem vinho; e as que bebem mais de dois copos de vinho por dia. Além disso, as voluntárias também responderam a questionários com 19 perguntas sobre sexualidade, com o objetivo de medir o FSFI (Female Sexual Function Index), uma medida usada noutros estudos científicos.

O grupo de mulheres que apresentou os maiores índices de desejo sexual, de acordo com as respostas dos questionários, foi aquele onde as mulheres consumiam um a dois copos de vinho por dia.

Os estudiosos destacam, no entanto, que a pesquisa precisa de ser encarada com cautela, não só devido à dimensão reduzida da amostra, mas também pela falta de dados provenientes de exames laboratoriais. Talvez por isso, o estudo apenas sugere uma correlação entre o consumo de vinho tinto e a libido feminina.

Outra ressalva feita pelos pesquisadores refere-se a questões como a excitação, satisfação e orgasmo. Ou seja, o vinho pode até fazê-la querer mais, no entanto, isso não significa um orgasmo garantido.

Dois copos e chega


O consumo moderado de vinho tinto pode aumentar a libido sexual feminina. E por que é que eu sublinhei o moderado? Porque se beber demasiado ou, inclusive, se ficar embriagada, pode dar-se precisamente o inverso da situação: simplesmente pode não conseguir ter relações sexuais.

Portanto, já sabe: Beba dois copos por dia, que dá saúde e alegria, além de um grande prazer sexual.





Ana Areal
Terça-feira, 1 de Junho de 2010

Empresas produzem vinho sem álcool no Brasil

Bebida promete seduzir grupos que não toleram sequer reduzidos teores etílicos, como aqueles cujos preceitos religiosos proíbem tal ingestão.



Até agora, diversas marcas comercializavam o vinho quase sem álcool, com um levíssimo componente etílico entre 0,2% e 0,7%, provavelmente imperceptível ao paladar, mas suficiente para que determinados grupos que não os tolerassem, especialmente aqueles cujos preceitos religiosos proíbem a ingestão de álcool.

Após cinco anos de pesquisas, o Grupo Matarromera, que também comercializava um vinho com apenas 0,5 grau, conseguiu elaborar uma bebida similar, mas isenta de conteúdo alcoólico, o EminaZero, disponível nas variedades tinto, branco, rosado e espumante.

"Ser pioneiro tem seu lado bom e ruim. Sempre existe o purista que vê como um erro tirar o álcool do vinho, mas 98% dos comentários são positivos", afirma Remi Sanz, diretor de comunicação da empresa. Segundo ele, o vinho sem álcool não pretende substituir a versão tradicional da bebida, mas sim aumentar o número de pessoas que consomem vinho.

O certo é que este vinho sem álcool começou bem sua caminhada, já que logo após ser apresentado na última edição da Alimentaria, a principal feira do setor na Espanha, levou o prêmio de Produto Mais Inovador na categoria de bebidas. O EminaZero também foi apresentado em fevereiro deste ano na feira Gulf Food, em Dubai, nos Emirados Árabes, e obteve boa aceitação. "Até agora era impensável entrar em um país de maioria muçulmana com nossos produtos", afirma Sanz. “Mas uma vez abertas as portas, a tarefa fica fácil”.

Produção

A questão inevitável que os produtores enfrentam é como fazer esta bebida sem que ela se torne apenas um suco de uvas. O segredo é fabricar um vinho regular, para então extrair o álcool. "Quanto melhor for o vinho de origem, melhor o produto final", diz Sanz.

Após a fabricação do vinho tradicional, começa um processo chamado desconstrução molecular organoléptica, que consiste em separar os diferentes componentes do vinho, começando pelos aromas, que são os mais voláteis, para continuar depois com o álcool e finalmente com o resto dos ingredientes. Em seguida, é feita a reunião dos componentes, sem incluir na mistura o álcool.

No caso do vinho californiano "Fre", a retirada do álcool é feita por um processo de filtração a frio que, segundo seus responsáveis, não danifica os aromas e propriedades naturais da uva. Este método evita o aquecimento, evaporação ou destilação do vinho e se baseia na osmose inversa para separar de forma natural o álcool do vinho resultante.

Algumas pessoas podem estranhar o sabor do vinho totalmente sem álcool, já que a bebida não deixa no paladar a acidez final típica do vinho etílico. "Logicamente quando se mexe tanto no produto e se altera sua estrutura sempre há mudanças. Todos os matizes de cor e tonalidades se mantêm intactos, e quase 85% dos aromas também", afirma Remi Sanz.



http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=206087

Brinde ao Paladar - Diário do Grande ABC

Encravada na península sul-africana, há uma concentração de fazendas produtoras de vinho que são de causar espanto a qualquer sommelier experiente. Guardadas as influências europeias em grande parte dos sabores disponíveis, são vinícolas com identidade própria, um know how que coloca a África do Sul entre os nove maiores países produtores de vinho do planeta - são quase 710 milhões de litros produzidos anualmente.

Tudo começa pela sofisticação para receber os tasters, traço presente desde os belos jardins que abrem os estabelecimentos até as adegas, com atendentes qualificados para a função. Um lugar mais bonito que o outro.

O melhor de tudo é que, mesmo com todo o clima europeu e a beleza dos lugares, os vinhos são bem baratos. Há garrafas de boa qualidade que custam a partir de 24 randes (pouco mais de R$ 6).

A reportagem esteve em pelo menos quatro winelands, cortando as paisagens mais belas do Oeste da península sul-africana. Pagamos 250 randes (R$ 59) por pessoa pelo passeio padrão com guia turístico, incluídas as taxas de degustação - que custam a partir de 20 randes (menos de R$ 5) e dão direito a cinco tipos de vinho, em média -, o deslocamento de carro e a vista, que não tem preço.

Mas o que dizem por aqui é que é preciso conhecer pelo menos umas 20 fazendas para se ter real dimensão da extensa carta de vinhos sul-africana.

No roteiro que começamos pela manhã, a primeira agradável surpresa foi Fairview, cuja produção data de 1693. São mais de 20 opções para os degustadores, entre vinhos brancos, de sobremesa, tintos, além das edições limitadas.

Provamos vinhos brancos como o Weissir Riesling (44 randes, ou R$ 10) e o Viognier (70 randes, ou R$ 16,50), com aromas de pêssego. Também experimentamos o Pinotage Viognier (tinto seco de 62 randes, ou R$ 14,60), que é imperativo para qualquer visitante, já que a uva Pinotage é exclusiva da África do Sul. É ideal para acompanhar carnes e cream cheese, segundo o tasting host Jesse.

Mas se você for a Fairview, não se contente com os vinhos. Reveze seus goles com boas salpicadas de queijos como o roché, 100% com leite de cabra, e o crottin. Vá com calma ao queijo camembert, cujo gosto é bem forte e esquisito.

Quer uma combinação perfeita? Tome bom vinho de sobremesa, como o sweet red (47 randes a garrafa, ou R$ 11) acompanhado do queijo blue tower. Dá vontade de sair de lá com centenas de pacotes de queijo e garrafas...

Vinícolas de Stellenbosch

Para fechar bem nosso passeio, nada melhor do que a famosa Stellenbosch e suas elegantes vinícolas. Na de Morgenhof, entre as 12 opções, compensa experimentar e levar o vinho da casa, Morgenhof Estate, cuja garrafa custa 180 randes (R$ 42,50). Bem encorpado e com aromas combinados de amoras e ameixas, o vinho é uma experiência palatal e tanto. Debaixo de árvores e caramanchões, os visitantes podem almoçar por ali mesmo e desfrutar de ambiente extremamente calmo - difícil é querer ir embora.

Já na vinícola de Spier - que ainda por cima está ao lado do restaurante Moyo''s e tem jardins perfeitos para fazer piquenique -, você recebe um cartão no qual assinala o que vai experimentar de acordo com sua personalidade - ou o contrário. É uma brincadeira interessante para ajudar a escolher entre os mais de 20 vinhos, que custam entre 24 e 148 randes (R$ 5,70 e R$ 35). Se você gostar mais do Chardonnay, por exemplo, são grandes as chances de sua personalidade ser independente e carismática. E se o que mais te agradar for o Sauvignon Blanc, sinal de que é pessoa decidida, charmosa e cheia de energia.

A inebriante Franschhoek

Uma bandeira da África do Sul flameja no alto e os portões se abrem ao lado da rodovia, na belíssima e bucólica região de Franschhoek. A estância, a 83 quilômetros da Cidade do Cabo, é famosa pela produção de centenas de marcas e combinações diferentes. Estamos em Graham Beck, nossa segunda estação na rota dos vinhos. Ao lado do estacionamento, jardins e pequenos caminhos para pedestres entre as árvores e muitos esquilos correndo pelo descampado.

Antes de chegar à recepção da vinícola - uma mansão com ar de realeza -, em vez de pedrinhas, os degustadores pisam sementes de pêssego e ainda se deparam com dois enormes espelhos d''água vigiados por estátuas de bronze.

Dentro da sala de degustação, toda envidraçada e com confortáveis sofás, o visitante recebe menu com 30 alternativas de vinhos, que custam entre 35 e 195 randes (de R$ 8 a R$ 46) por garrafa. Uma mixaria... Difícil é escolher as cinco goladas. Dentre as provadas pela reportagem, destaque para o Graham Beck Viognier (75 randes, ou R$ 18), ideal para acompanhar peixe e frango. Não deixe de experimentar o Rhona Muscadel, vinho para sobremesa bem suave e que custa apenas 55 randes (R$ 13).

Hora do almoço. Na pequena vila de Franschhoek, com seus cerca de 13 mil habitantes e dezenas de restaurantes de comida francesa e italiana, uma rápida refeição no elegante Bicccs. Momento perfeito ao ar livre e debaixo de vários salgueiros. Descanso com direito à Windhoek, cerveja da Namíbia cuja long neck custa 14 randes (R$ 3,30). Deliciosa...

Antes de partir, passada no monumento erguido em 1943 em homenagem aos franceses que ocuparam a região. A instalação é formada por três arcos, que se completam com um sol e uma cruz.

Por fim, saia da cidade e aviste tudo de cima da colina. Repare nos lagos bem azuis e nos telhados cinzas das casas. Vire para trás. Lá está a montanha, enorme e imponente

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Vinhos brasileiros inauguram espaço permanente na Vinópolis em Londres

Publicação do site Wines from Brazil



Dezessete rótulos de oito vinícolas verde-amarelas estarão à mostra para degustação e venda na principal atração de vinhos do mundo da Inglaterra

Os vinhos brasileiros acabam de realizar um sonho. Inauguraram um espaço permanente na Vinópolis – a “Cidade do Vinho”, uma espécie de Museu Mundial do Vinho –, na margem sul do rio Tâmisa, em Londres, com apoio do Ministério de Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil na capital da Inglaterra. A conquista do projeto Wines From Brazil, realizado em parceria pelo Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho) e pela Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), chega após um investimento de seis anos no mercado britânico, por meio da participação ininterrupta de 2005 até este ano na Feira Internacional de Vinhos de Londres (London International Wine Fair).

A partir da próxima semana, os consumidores britânicos terão acesso na Vinópolis, situada em London Bridge, o coração cultural de Londres, a 17 rótulos verde-amarelos de oito vinícolas brasileiras: Aurora, Casa Valduga, Irmãos Molon, Lidio Carraro, Miolo, Piagentini, Pizzato e Salton. A escolha dos produtos foi feita por sommeliers da Vinópolis. Os vinhos e espumantes brasileiros também poderão ser adquiridos no site de vendas da Vinópolis, www.laithwaites.co.uk, a partir de junho.

“Estar na Vinópolis é um marco histórico para o vinho brasileiro”, disse a gerente de Exportação do projeto Wines From Brazil, Andreia Gentilini Milan, na inauguração oficial do espaço dos Vinhos do Brasil na Vinópolis, ocorrida na última sexta-feira (21), com a presença da chefe do Setor Comercial da Embaixada do Brasil em Londres, Regina Bittencourt, do gestor de projetos da Apex-Brasil, Marco Soares, da diretora da Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais (Sedai), Sandra Schäfer, e de empresários, jornalistas, sommeliers ingleses, e produtores brasileiros.

“O ingresso do Brasil na Vinópolis representa uma aproximação efetiva do consumidor inglês, que além de ter contato com o espaço do Brasil poderá degustar e comprar 17 vinhos e espumantes”, afirmou Andreia. Para ela, o Brasil quer ser uma opção de consumo para quem procura vinhos elegantes, autênticos, frescos, frutados e com álcool moderado. “Colocamos definitivamente a bandeira dos vinhos brasileiros em Londres, o maior mercado importador de vinhos do mundo”, comemorou. Regina Bittencourt, da Embaixada Brasileira em Londres, destacou a presença dos vinhos brasileiros na Vinópolis. “É um orgulho para os brasileiros ter um espaço privilegiado neste lugar que recebe, por ano, a visita de mais de 100 mil pessoas de todas as partes do mundo”, comentou.

Degustação
Na Vinópolis, o Wines From Brazil realizou duas “Master Class”, conduzida pelo único Master of Wine homem da América Latina, Dirceu Vianna Jr., destinada a sommeliers, críticos e jornalistas britânicos. Entre os presentes, destaque para o correspondente da Globo em Londres, Sirio Bocanera, e para o sommelier brasileiro do Fifteen, do chef Jamie Olivier, Fernando Matumato, que também degustou os vinhos e espumantes das nove vinícolas brasileiras presentes na London Wine Fair. Na ocasião, ele confirmou que colocará três rótulos verde-amarelos na Carta do Fifteen (um espumante, um vinho branco e um tinto). Cerca de 60 convidados participaram de um almoço feito por um chef brasileiro, embalado pelo som ao vivo de Bossa Nova.

À tarde, estiveram presentes em torno de 20 sommeliers do setor de trade inglês. O comprador da Harvey Nichols (www.harveynichols.com), Andrew Duncan, participou da degustação conduzida por Dirceu Vianna Jr e apaixonou-se pelos espumantes da Miolo, prometendo incluir o Millésime no Winebar da loja de departamentos, que possui status superior à famosa Harrods. “É o local mais conceituado para posicionar a marca dos vinhos brasileiros em Londres”, comentou Andreia. Duncan ainda elogiou os espumantes da Cave Geisse e o Salton Desejo, que tão logo estejam distribuídos no Reino Unido, podem ser acrescidos na carta de vinhos da Harvey Nichols.

No sábado (22), foi realizado um evento para os consumidores que visitaram a Vinópolis. Dentro do tour tradicional realizado pelos guias do local, foi incluída uma passagem por um auditório com a presença de oito vinícolas gaúchas (Aurora, Casa Valduga, Irmãos Basso, Lidio Carraro, Miolo, Piagentini, Pizzato e Salton). Das 12h às 17h, cerca de 300 pessoas degustaram os produtos nacionais, todos interessados em conhcer mais sobre a vitivinicultura brasileira. “Além de apresentarem seus vinhos, os produtores tiveram uma oportunidade única de conferir o gosto e a aceitação dos seus rótulos junto ao consumidor final”, observou Andreia.

Veja os vinhos e espumantes brasileiros que estarão à venda na Vinópolis:

Aurora: espumantes Aurora Brut Chardonnay e Aurora Moscatel.
Casa Valduga: vinho tinto Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2006.
Irmãos Molon: Pietro Felice Gran Reserva Cabernet/Merlot.
Lidio Carraro: vinho branco Dádivas Chardonnay.
Miolo: vinho branco Alisios e vinho tinto Quinta do Seival.
Piagentini: vinho Decima Gran Reserva 2005 e espumante Decima Brut.
Pizzato: vinho branco Pizzato Chardonnay 2009; e vinhos tintos Fausto Merlot 2006; DNA 99 Merlot 2005; Pizzato Concentus 2005; Pizzato Reserva Cabernet Sauvignon 2004; e Pizzato Cabernet Sauvignon 2006.
Salton: vinhos tintos Salton Talento 2005 e Salton Séries Cabernet Franc 2007.




publicado em 31/05/2010
http://www.winesfrombrazil.com.br/int_noticias.php?id=674&tipo=1

Vinhos portugueses distinguidos nos EUA


A revista norte-americana "Wine Enthusiast" atribuiu o vinho tinto Alta Corte da DFJ(Região de Lisboa), o prémio "Best Buy". O galhardão fica a dever-se à sua qualidade-preço.
O Chocapalha 2007 Reserva Tinto, da quinta de Chocapalha(também Região de Lisboa) foi distinguido com a referência "Cellar Selection", que destaca a favorável capacidade de manutenção. O vinho da Região de Lisboa aumentou a comercialização no mercado externo, com uma quota superior a 45% do total certificado. Nos mercados principais encontra-se Angola, Bélgica, Reino Unido,Escandinávia,Canadá, Estados Unidos, Alemanha e Brasil.

terça-feira, 25 de maio de 2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vin de Constance



O Vin de Constance ganhou adeptos como Otto von Bismarck, nobre prussiano que unificou a Alemanha, os escritores ingleses Charles Dickens e Jane Austen e uma porção de czares russos.
Mas o fã mais notável foi Napoleão Bonaparte (na França, atualmente, ganhou apelido de Vin de Napoleon), que quando exilado na Ilha de Elba, após ser derrotado na Batalha das Nações, mandava importar 30 garrafas deste vinho por mês.
Assim como toda indústria produtora de vinhos sulafricana no século 19, a fazenda produtora de Vin de Constance, (próxima a Cidade do Cabo) teve suas plantações arrasadas pela filoxera, que destruiu também os vinhos europeus. O prejuízo foi enorme e a propriedade foi vendida para o governo sulafricano. A produção de vinhos foi interrompida.
Em 1980, uma família sulafricana comprou parte da propriedade e, interessada em retomar a produção, contratou o enólogo Chris Offer, que estudou relatos de viajantes que já haviam provado o vinho, e descobriu a exata variedade da uva empregada, a Muscat de Frontignan.
Novas vinhas foram plantadas em 1982 e as primeiras uvas colhidas 4 anos depois. O vinho não é fortificado, estagiou então em 18 meses em barris, e depois foi lançado com 6 meses de barris de carvalho, com o nome de Klein Constantia, em garrafas réplicas das históricas, de 500 ml.

Guia Platter's


O grande guia dos vinhos sulafricanos, editado há 30 anos, é o companheiro confiável para identificar vinícolas, safras, uvas e os melhores vinhos.
Os vinhos sulafricanos estão em plena mutação, a estatística de uvas plantadas muda constantemente, e novos terroirs estão sendo explorados.
A denominação por origem é recente no país, e o sistema de classificação por regiões está em processo de consolidação. O vinho da África do Sul é interessante e rico, está descobrindo sua identidade entre o Velho Mundo, com vinhos estruturados e de corpo, com vinhos do Novo Mundo, leves e com sabor acentuado da uva.
Certamente este país será um dos "players" de destaque no mundo do vinho nas próximas décadas.