quinta-feira, 10 de junho de 2010

Gaúchos da serra plantam uva de mesa


No Vale dos Vinhedos, região certificada e reconhecida como produtora de vinhos finos, começa a surgir uma "dissidência" entre os produtores de uva. A uva para vinho continua a representar a maior parcela dos plantios, afinal, a produção vinífera ali, trazida pelos imigrantes europeus, remonta a décadas.

Mas alguns produtores, embora não tenham deixado de lado a fruta, trocaram as variedades e a forma de cultivo, optando pela uva de mesa, vendida in natura e, em alguns casos, colhida no próprio pé, pelo consumidor. Já são 800 hectares cultivados sob plásticos, técnica que garante mais qualidade final e redução na aplicação de agrotóxicos. Há sete anos, segundo a Embrapa Uva e Vinho, eram apenas 50 hectares.

As variedades de mesa introduzidas na região são a itália, niagaras branca e rosada e rubi, que "roubam" o espaço da isabel e da bordeaux.

Os municípios de Caxias, Farroupilha, Flores da Cunha e Bento Gonçalves abrigam propriedades de no máximo meio hectare (5 mil metros quadrados) com as uvas de mesa, conforme o pesquisador Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho.

Diversificação. As principais razões para a expansão das variedades de mesa na Serra Gaúcha, conforme especialistas e produtores, são a necessidade de diversificação das propriedades e, principalmente, a demanda aquecida e o alto valor agregado dessas frutas. "O baixo valor pago pelo quilo da uva pelas vinícolas nas últimas safras tem obrigado os produtores a procurar uma alternativa de renda. E a remuneração da uva de mesa é muito maior", afirma o também pesquisador da Embrapa Henrique Pessoa dos Santos.

Conforme Santos, ao passo que o preço médio pago por quilo de uva comum fica próximo dos R$ 0,50, o quilo da uva de mesa chega a ser vendido por até R$ 5. "Muitos produtores vendem diretamente para o consumidor final, que vêm até o sítio para colher a uva. É um programa turístico", explica Santos. "De olho nessa possibilidade, muitos produtores aderem à uva de mesa", adiciona Botton.

Foi justamente por isso que o vinicultor Ismael Boff, do município de Caxias do Sul (RS), decidiu, quatro anos atrás, apostar no cultivo das uvas de mesa. Ele conta que, por 50 anos, sua família trabalhou somente com variedades de uvas próprias para a produção de vinho e suco. "Há alguns anos, porém, o preço dessas uvas têm sido muito baixos", diz Boff. "Passamos então a procurar uma alternativa mais lucrativa e, motivado pelo preço atrativo, decidi testar o plantio das uvas itália e rubi numa área pequena, de 3 mil metros quadrados".

Após quatro anos, Boff se diz satisfeito com os resultados, apesar de destacar que o manejo das uvas de mesa é diferente e os custos de produção, mais altos. Ele conta ainda que nos próximos anos pretende dobrar a área de cultivo. "O consumo tem crescido muito, o que leva muita gente a investir", diz.

Segundo os especialistas, o aumento no consumo está ligado à melhoria da qualidade das uvas de mesa produzidas na região, que por sua vez está ligada à adoção de uma técnica de cultivo muito comum na produção de morangos, introduzida na região há cerca de 15 anos: o cultivo protegido.

Plástico. Trata-se de instalar uma cobertura de plástico por cima dos parreirais. "O clima da Serra Gaúcha é muito úmido, o que favorece as pragas e obriga o produtor a utilizar muitos agrotóxicos", frisa Botton. "Com isso, a uva sempre aparecia entre as frutas com maior quantidade de resíduos, segundo os relatórios da Anvisa, e isso assustava o consumidor."

"Além disso, com a plasticultura você fica menos à mercê do tempo", afirma Valderez Formigueir, que há nove anos passou a cultivar uva itália em sua propriedade em Caxias do Sul (RS). Ele conta que, além do preço atrativo, pesou o fato de que na época não havia seguro para as lavouras de uva comum, o que aumentava muito os riscos de prejuízo. "Hoje, mais do que essa segurança, as uvas de mesa são uma alternativa para que o produtor não fique nas mãos das vinícolas", diz Formigueir.





O Estado de S.Paulo

The YEATMAN, o vinho e a hotelaria







O Yeatman, primeiro hotel de luxo em Portugal voltado para a apreciação do vinho em suas práticas de saúde e prazer, será inaugurado em julho, terá a festa oficial em setembro e começa a se apresentar para o mercado internacional desde já. O Brasil surge como um dos mercados prioritários e mais promissores, motivo para a direção da Fladgate Partnership, empresa prioprietária do empreendimento e detentora de uma das mais completas caves de vinhos portugueses, realizar sua primeira incursão no país para promover o conceito de wine hotel.

Adrian Bridge, CEO da companhia, reuniu um selecionado grupo de imprensa nestes dois dias de visita à São Paulo para contar sobre o projeto e as novidades de lançamento do hotel, que pretende venha a se tornar um nome forte e específico, um top para a região norte de Portugal. “Queremos ser diferenciados e únicos para definir o destino e sua ligação com os vinhos”, reconhece.

No entorno do Porto, a segunda maior cidade portuguesa e principal centro econômico da região, estão quatro das mais destacadas produções vinícolas do Pais: são as regiões do Minho, Douro, Dão e Barriadas. A 20 km do aeroporto internacional Francisco Sá Carneiro, um dos mais modernos da Europa, a 7 km da costa do Atlântico, à margem do Douro e com vista privilegiada para a cidade, o The Yeatman está em seus detalhes finais. Os 2,6 hectares de área total, com construção de 13 mil m2, serão entregues no próximo dia 15 de julho, com abertura das instalações no dia 23. Em setembro acontecerá a festa oficial de inauguração com presença das principais autoridades portuguesas entre os convidados, a começar do presidente Cavaco Silva.


Investimentos de 32,5 milhões de euros para um cinco estrelas que reúne a tradição cultural do Porto com o vinho e alta gastronomia. São 70 apartamentos (de 40 m2) e 12 suites (quatro delas com 120 m2), todas com vista espraiada para a cidade. Localizado na zona histórica, em Vila Nova de Gaia, tem seis níveis, lembrando a distribuição dos típicos vinhedos do Douro.

Com quase quatro séculos de presença da companhia na região, o The Yeatman é um novo desafio para a empresa. “Nossa família está ligada ao comércio do vinho do Porto há várias gerações. Pretendemos ser uma referência em hotelaria de luxo, relacionada diretamente à vinicultura. Todas as regiões vinícolas de Portugal estarão representadas”, explicou, já que as empresas produtoras (81), serão parceiras, apartamentos e suítes serão personalizados e haverá programação de eventos e jantares temáticos ao longo do ano. “Uma combinação incomparável”, antecipa.

Entre os destaques do empreendimento está o Spa Vinotharapie, de 2 mil m2 e com produtos Caudalié. Entre as várias terapias, a programação Intimate Experience – sempre com o vinho em evidência. Nos aspectos ambientais, Adrian diz da importância dada pela empresa, com os painéis solares, células foto voltaicas (eletricidade), iluminação sob baixo consumo, sistema de purificação de água da rede pública, refúgio de plantas raras, (o plantio de uma oliveira de 1.200 anos), e espaço para aves imigratórias, entre outras ações, como um borboletário que estará pronto em abril do ano que vem.

Como 700 mil pessoas visitam a região do Porto anualmente, o executivo espera por 30 mil pernoites neste primeiro ano. Entre eles, muitos brasileiros, ainda mais com o voo direto da TAP. “O Porto é uma cidade fantástica, porém pouco conhecida ainda como destino. É possível fazer um roteiro a pé, tem riquesas históricas e culturais, e o projeto do The Yeatman é para o cliente de alta qualidade, das experiências sensoriais, do prazer em estilo e bem receber. Queremos ser uma referência mundial, como o vinho é uma janela de cultura”.

Antonio Euryco

Vinhos brasileiros escalados para a Copa do Mundo na África do Sul


Os vinhos brasileiros já estão escalados para participar da Copa do Mundo na África do Sul. A escalação dos espumantes verde-amarelos foi feita pelo projeto Wines From Brazil (WFB), realizado pelo Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho) e pela Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). Seis vinícolas – Aurora, Casa Valduga, Panceri, Piagentini, Pizzato e Salton – estão confirmadas para uma degustação gastronômica no dia 20 de junho, data do jogo entre Brasil e Costa do Marfim, válido pela primeira fase do Mundial.

O evento ocorrerá na Casa Brasil em Joanesburgo, espaço do governo federal onde acontecerá o “Brazil Sensational Experience” (Brasil uma experiência sensacional), reunindo os setores da carne bovina, frango, café, frutas e vinhos brasileiros. Segundo a gerente de Promoção Comercial do WFB, Andreia Gentilini Milan, estarão presentes cerca de 200 convidados da Apex-Brasil, formados por sommeliers, chefs de cozinha, compradores e jornalistas da África do Sul.

“Será uma ótima oportunidade para apresentarmos os vinhos brasileiros ao mercado sul-africano e também para iniciarmos o interesse pelos produtos nacionais para a próxima Copa do Mundo no Brasil”, destaca. A degustação de espumantes será acompanhada por pratos da culinária brasileira das 18h às 20h30, quando todos assistirão a partida do Brasil contra Costa do Marfim, em Joanesburgo.

Um dos principais objetivos da Casa Brasil é divulgar o país como sede da Copa de 2014 para investidores, compradores, esportistas, turistas, imprensa e formadores de opinião que estarão no país africano acompanhando os jogos.

Fonte: Apex-Brasil

terça-feira, 8 de junho de 2010

Brasil quer aprender com vinhos sul-africanos

Em época de Copa do Mundo, o Brasil tem motivos, além do futebol, para se voltar para a África do Sul. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) juntamente com a Embaixada do Brasil em Pretória estão procurando aprender com os produtores de vinho sul-africano.

Nos últimos anos, a África do Sul se tornou um dos principais exportadores de vinho entre os países do "Novo Mundo", ocupando o nono lugar entre os maiores da indústria vitivinícola mundial. Com 102 mil hectares de vinhedos plantados, o país africano produz atualmente 3% de todos os vinhos do mundo.

O objetivo é melhorar a qualidade da produção nacional e tentar utilizar as estratégias bem sucedidas da África do Sul no Brasil. A intenção é que esta tecnologia de produção possa ser empregada nas regiões brasileiras produtoras de vinho.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Vinícola de 1858 é restaurada na Califórnia


Em um trecho do imponente bairro de Carneros na Califórnia, um dos mais antigos vinhedos do estado se tornou um dos mais novos.


Com 256 hectares, a vinícola Scribes já se chamou Dresel. O local remonta a 1858, mas muito pouco da antiga vinícola restou. Quando o atual fundador Andrew Scribe Mariani e seus sócios o encontraram, o terreno não passava de uma fazenda com perus e treze galpões cheios de aves em quarentena. "Foi desagradável, nojento", disse Mariani.

O terreno foi comprado em 2007 e durante um ano ele foi limpo e reconstruído. "Agora ele está completo, com uma entrada imponente com palmeiras e uma velha fazenda. A adega está remodelada de uma forma um pouco primitiva, um 'rústico-chique' que faria inveja a Restoration Hardware", brincou o dono fazendo referência à companhia americana de restauração.


Essa mistura entre o velho e o novo é o coração da nova vinícola. De acordo com Mariani o lote original continha o que podem ter sido as primeiras vinhas Ryesling Sylvaner plantadas nos Estados Unidos.


Publicação Revista Adega

Pela terceira vez, Israel produz tempranillo





Castas espanholas transplantadas para as Colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel, forneceram a sua terceira colheita de tempranillo.



"Estamos começando a vender. Apesar da produção ser muito pequena, ela já está sendo bem recebida. Alguns restaurantes em Tel Aviv já acrescentaram os vinhos aos seus menus", disse o enólogo e proprietário da vinícola que leva seu nome Efe Tal Pelter.


"O plano original era fazer um vinho vermelho, mas as vinhas tinham menos de cinco anos, eram muito jovens. Então decidimos fazer uma colheita de rosés este ano", disse Pelter, acrescentando que o resultado foi "um vinho seco e frutado, com acidez equilibrada e um sabor muito interessante".
"No momento existem 15 produtores israelenses cultivando tempranillo, mas a maioria utiliza a uva para misturá-la com outras castas. Até agora apenas três vinícolas lançaram um tempranillo no mercado", explica Daniel Rogov, crítico de vinhos e autor de um guia local de prestígio para vinificação.

Segundo o especialista "o Tempranillo produzido aqui não tem os mesmos resultados que os produzidos na Espanha, mas devemos ter em mente é um processo novo de produção. Mesmo assim, quando fazemos uma degustação às cegas, logo se sorri e diz ''ahhh... tempranillo''".

Nos últimos 10 ou 15 anos, a cultura do vinho entre os israelenses se expandiu. Durante este período, o consumo per capita por ano aumentou de seis litros para cerca de nove litros. Existem mais de trezentas grandes vinícolas em Israel, que produzem anualmente cerca de 36 bilhões de garrafas de vinho, um número modesto, mas que não para de crescer.
Publicação Revista Adega

Evento para caridade arrecada 8,5 milhões de dólares nos EUA


Mais de 8,5 milhões de dólares foram arrecadados na 30ª edição do Auction Napa Valley. Ocorrido neste último final de semana, o leilão tem como objetivo arrecadar fundos para investir em saúde e em programas de bem-estar no condado de Napa, em Santa Helena, nos Estados Unidos.



Organizado pela Associação de Vinicultores do Napa Valley, o evento contou com cerca de 900 pessoas. Desde o começo de maio, pequenos leilões estavam sendo feitos na Internet pela associação para preparar o público para o que estava por vir.



A grande soma obtida pelo evento se deve ao espírito da maioria dos compradores presentes no leilão. Diferente do ano passado, ninguém parecia hesitar em levantar sua placa para os arremates. Em 2009 foram arrecadados pouco mais do que quatro milhões de dólares, quase metade do lucro angariado por esta edição.

Publicação Revista Adega

EUA investem sete milhões de dólares em melhoras para o setor vitivinícola

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) forneceu mais de sete milhões de dólares para o Instituto de Alimentação e Agricultura da Uva e Vinho (NGWI) do país.

O investimento tem como objetivo financiar projetos que possam resolver problemas que os viticultores norte-americanos tem lidado, como a escassez de água e o aumento da salinidade na água fornecida.


"A escassez de água, a diminuição de sua qualidade, o clima e as mudanças climáticas aberrantes ameaçam a produção de uvas na região", disse Jean-Mari Peltier, presidente da NGWI. "Estamos extremamente satisfeitos que o departamento tenha reconhecido o quanto os viticultores têm lutado contra essas questões. Este projeto irá ajudar a indústria a desenvolver estratégias para economizar água, preservando a qualidade da uva", explicou.

Para a realização do projeto, vários especialistas, pesquisadores e produtores foram consultados, de forma que as principais questões e deficiências do setor fossem tratadas. "Este projeto propõe a investigação necessária para sustentar uma das culturas mais importantes do país em um futuro com um abastecimento de água incerta", disse o pesquisador Andrew McElrone, do Serviço de Pesquisa do USDA.

Origem do vinho é o que menos importa para os jovens, diz estudo

6/Junho/2010

Na última London Wine & Spirits Fair, um dos maiores eventos do mundo do vinho, o grupo de pesquisa Wine Intelligence mostrou diversas pesquisas e relatórios que tentavam explicar o consumidor jovem.


O estudo mostrou que o número de consumidores de vinho com menos de 35 anos é grande, sendo os canadenses os que somam a maior quantidade, mais de seis milhões. Apesar do grande público, os relatórios mostraram que o consumo dos "millenials", como são chamados, não é excessivo. Em sua maioria, os jovens estão bebendo pouca ou moderada quantidade de vinho.



A pesquisa também mostrou um dado curioso: como os jovens escolhem os vinhos que vão comprar. De acordo com o grupo, em primeiro lugar, eles levam em conta as recomendações de amigos e familiares; em segundo, a variedade da uva; em terceiro, as ofertas e promoções; em quarto, o reconhecimento da marca; e em quinto, o país de origem da bebida.

Em todos os casos, o design da embalagem é fator de grande relevância para os compradores mais jovens. Muitos optam por rótulos modernos, enquanto grande parte escolhe rótulos mais tradicionais. Sobre estes últimos, é possível concluir que ainda não são consumidores familiarizados com o produto. Desta forma, a escolha pelo tradicional se torna uma escolha mais "segura".





Revista Adega

domingo, 6 de junho de 2010

O vinho do país da Copa


Correio Braziliense - 05.06.2010

Uvas inusitadas, excelentes safras e Copa do Mundo. O que o mundo do vinho tem a ver com o maior evento do futebol ? Tudo. O país sede do mundial vem se destacando nos últimos anos como um respeitável fabricante da bebida.

Os enólogos da África do Sul não são meros produtores, mas inventores também. Eles se inspiraram nos franceses, cruzaram uvas clássicas e criaram um estilo próprio, que, segundo especialistas, vale a pena provar.



Os sul-africanos fabricam, anualmente, 800 milhões de litros de vinho, dos quais exporta 280 milhões, principalmente para os Estados Unidos. No Brasil, os rótulos vindos de lá ainda ocupam pouco espaço nas prateleiras das adegas, mercados e casas especializadas, mas a tendência é que o interesse dos brasileiros aumente. “Há três anos, começamos a receber bons rótulos de lá, e o público está começando a apreciar mais os vinhos sul-africanos”, comenta Odilio Ribeiro Lira, gerente da Adega do Vinho.

Os produtores sul-africanos são conhecidos pelo cruzamento de uvas importantes. A principal delas é a pinotage, uma fusão da pinot noir com a hermitage (hoje mais conhecida como cinsault). A mistura foi desenvolvida pelo professor Abraham Perold em 1925 e faz sucesso no mundo todo. “Dependendo do tipo da vinificação, da proposta do enólogo e da qualidade pontual da uva, são vinhos com sabor marcante, profundidade aromática e, em alguns casos, de longa guarda”, afirma Gutto Assunção, sommelier da Vintage Vinhos.

Outros destaques são as já bem conhecidas dos brasileiros shiraz, merlot e cabernet sauvignon, que trazem a combinação de aromas frutados e taninos maduros. No quesito uvas brancas, quem reina é a chenin blanc, também conhecida como steen e quase extinta no seu país de origem, a França. “Os melhores são oriundos de localizações privilegiadas e com muita incidência de raios solares. O produtor que visa à quantidade obterá um vinho mediano sem grandes qualidades. Fatores como frio excessivo e chuva trarão ao vinho uma predominância da acidez”, explica o sommelier. “Outra importante característica dessa uva é que ela é suscetível ao Botrytis cinerea, fungo causador do apodrecimento natural da uva e, consequentemente, da elaboração de vinhos doces.”

Entre as brancas, destacam-se também a chardonnay e a sauvignon blanc. “As características relevantes dos brancos sul-africanos dependem da casta utilizada. A chardonnay, por exemplo, é uma casta que apresenta vinhos de grande estrutura, encorpado e muito seco. Em alguns casos, com uma certa mineralidade”, comenta Assunção.

É comum encontrar rótulos da África do Sul com duas ou mais uvas, principalmente com a mistura de cabernet, merlot e shiraz. “O clima de lá é muito parecido com o do Chile. Eles produzem bons cortes, mas não são as uvas que se mesclam antes da produção, e sim a porcentagem dos vinhos já prontos, medida com exatidão pelo produtor, que cria uma bebida perfeita”, comenta Paulo Kunzler, sommelier da Zahil. Com uma gastronomia diversificada e cheia de especiarias, os vinhos sul-africanos combinam muito bem com a culinária brasileira. “As sugestões mais confiáveis são aquelas em que você segue o padrão normal, ou seja, para acompanhar aves, peixes e a culinária asiática, os brancos são os mais apropriados. Nos quesitos carne vermelha e caça, os tintos cumprem a rigor o seu papel, podendo até harmonizar com carnes brancas, dependendo da sua estrutura”, sugere Assunção. A maior região vinícola naquele país é a de Stellenbosch, que fica na Província do Cabo Ocidental. Segundo Kunzler, no Brasil é possível encontrar excelentes rótulos. “Você encontra vinhos baratos, mas os melhores custam no mínimo R$100. É sempre bom começar pelos mais simples até chegar aos top. E experimentar sempre.”