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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Seminário discute a vitivinicultura na Metade Sul do Rio Grande do Sul


Discutir a situação da vitivinicultura com foco na apresentação e prospecção de tecnologias que contribuam com a competitividade dessa atividade na Metade Sul do Rio Grande do Sul será o principal objetivo do VII Seminário de Vitivinicultura da Metade Sul do Rio Grande do Sul, que acontecerá de 17 a 19 de junho de 2010, no Clube Comercial de Bagé (RS).



O evento será dividido em três grandes temas. O primeiro tratará da Vitivinicultura no bioma Pampa: o desafio que nos diferencia e abordará aspectos peculiares da sustentabilidade na vitivinicultura na região e a busca da sua identidade através de indicações geográficas para a Campanha Gaúcha, considerada a "nova Califórnia" do mundo vitivinícola.

O segundo painel abordará aspectos do Mercado e marketing de vinhos, sucos e vinhos, passando por apresentação de diagnóstico do mercado e pelo trabalho do Projeto Imagem desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), que visa incrementar e difundir a qualidade dos produtos vinícolas brasileiros. O primeiro dia encerrará com uma degustação temática de vinhos da região e visitação aos estandes.

O segundo dia será destinado para apontar e discutir os Desafios e estratégias tecnológicas para a vitivinicultura na Metade Sul. Serão apresentadas palestras sobre os principais problemas tecnológicos da região e também sobre o manejo das principais doenças e pragas encontradas nos parreirais.

Na sequência, acontecerá um Workshop que, segundo Alexandre Hoffmann, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e integrante da Comissão Organizadora do evento, será utilizado como base para o levantamento e a caracterização das demandas tecnológicas a serem inseridas na Rede de Centros de Inovação em Vitivinicultura (RECIVITIS).

Encerrando o evento, no dia 19 de junho, será realizado um Dia de Campo na Vinícola Peruzzo em Bagé (RS).

O evento é promovido pelo Comitê de Fruticultura da Metade Sul do RS, Embrapa Uva e Vinho, Emater/RS-Ascar, Ibravin, Sebrae, Prefeitura Municipal de Bagé e Associação Bageense dos Fruticultores. Conta com o patrocínio de Claro, Basf Agricultura, AGCO e Massey Ferguson e com o apoio de diversas entidades.


ANOTE NA AGENDA

O que: VII Seminário de Vitivinicultura da Metade Sul do RS
Data: 17 a 19 de junho de 2010
Local: Clube Comercial de Bagé (RS)
Inscrição: R$ 20,00, no local do evento
Informações: www.comitedefruticultura.com.br ou (53) 324-2609






FONTE
Embrapa Uva e Vinho
Viviane Zanella - Jornalista

Aberta ontem, a Boutique de Vinho Mahalo terá carta de bruschettas especial

Não existe nada mais perfeito para acompanhar um bom vinho do que pão. Não é à toa que os italianos inventaram a bruschetta, um antepasto cuja base é o pão tostado na grelha com azeite e coberto com uma grande variação de complementos. Tomar um bom vinho comendo alguma coisa sem, necessariamente, a obrigatoriedade de jantar. Esta é a proposta do mais novo serviço do restaurante Mahalo Cozinha Criativa, que abriu ontem à noite sua Boutique de Vinho onde os clientes poderão também comprar qualquer um dos 120 rótulos disponíveis em práticas embalagens para viagem que mantém a temperatura do vinho por uma hora e são anti-impacto. Ou, se preferirem, fazer a degustação lá mesmo tendo como acompanhamento uma carta de bruschettas. À frente da nova empreitada estão a sommelier Kézia Giugni e o chef Paulinho Viana.

"Vamos abrir todos os dias para que os clientes possam curtir um bom vinho de uma maneira mais informal", detalha Kézia, acrescentando que a Boutique de Vinho irá funcionar de segunda a sábado, das 08 horas até o fechamento do restaurante. "Muitas pessoas querem tomar um vinho até mais tarde ou mesmo comprar uma boa garrafa para levar a casa de amigos, aqui elas vão encontrar", garante, acrescentando que serão ofertados todos os vinhos presentes na carta do restaurante. Nas compras para levar, os preços são até 40% mais baixos do que quando servidos nas mesas.

Entre os 120 rótulos de nacionalidades distintas como Brasil, França, Itália, Chile, Argentina, Uruguai, Austrália, Portugal, Espanha, Nova Zelândia, África do Sul e Líbano estão vinhos cujos preços vão de R$ 20,00 (Frisante Lambrusco) a R$ 1.800,00 (o lendário espanhol Vega Sicília). Entre os destaques, toda a linha Catena, desde Álamos, o mais simples, até o top Nicolas. Clássicos como o Porto Pêra Manca (incluindo meia garrafa) ou o chileno Almaviva. Para tomar a qualquer hora, a recomendação é prosecco Sacchetto Extra Day, um vinho que, segundo Kézia, é super cremoso e elegante. Ela recomenda ainda o Passo Bianco, outro italiano feito a partir de uvas pinot gris com torrontés, lembrando ainda que estão disponíveis na boutique oito tipos de rosés (incluindo espumantes) de origem argentina, francesa, espanhola. Vinhos de sobremesa são seis rótulos, entre brancos e tintos, incluindo o francês Sauternes. Todos disponíveis também em meia garrafa.

Para acompanhar, uma carta de bruschettas com dez opções criadas pelo chef Paulinho Viana especialmente para a nova proposta. "Elas foram pensadas para acompanhar os vinhos. Então temos algumas mais leves como a Barcelona (champignon, bacon, bechamel, azeitonas verdes e parmesão) ou a Contemporânea (berinjela, zucchini, tomate assado, alho, tapenade e mini cebola). E outras mais fortes, a Do Agreste (carne seca, cebola agridoce e azeitonas) ou a Parma (mussarela, parmesão, presunto cru italiano e azeitonas)", explica, acrescentando que todas as bruschettas são servidas também como entrada no restaurante.

Ontem, na noite de inauguração da boutique, foram servidas 4 sabores: Aldebaran (calabresa triturada, mussarela de búfala, gorgonzola e alcaparras), Árabe (mussarela, peperoni, palmito, chancliche - tipo de queijo árabe -, azeitonas e cebola), Contemporânea e Do Agreste.

Vinhos da África do Sul no SESC Carmo

O Sesc Carmo realiza no dia 11 às 19 horas o bate-papo sobre vinhos da África do Sul. A atividade é uma homenagem à cultura e à história sul-africanas, no ano em que o país organiza a Copa do Mundo de Futebol.

O sommelier e consultor Arthur Azevedo irá conduzir a conversa, que terá degustação posterior. O ex-presidente da Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo falará sobre as tradições, a geografia, a rota do vinho e as curiosidades, tendo como foco a região da Cidade do Cabo.

Falar sobre vinhos da África do Sul, mesmo nos dias de hoje, ainda causa espanto e admiração, pois são poucas as pessoas que se dão conta de que há muito tempo o país produz vinhos e de muito boa qualidade.

Somente no início dos anos 90 é que a África do Sul voltou a fazer parte do cenário vitivinícola mundial, começando de forma tímida e depois bastante agressiva uma campanha de recuperação de mercado, buscando um melhor posicionamento para seus vinhos.

Em termos de produção mundial de vinhos, dados de 2001 - os mais recentes disponíveis - mostram que a África do Sul ocupa o 10º lugar, respondendo por 2,5% do total de vinhos produzidos. Em 2003, a estatística oficial contabilizava 4.435 produtores de vinhos no país, com 66 cooperativas.

A exportação dos vinhos sul-africanos vem crescendo de forma acentuada, passando de algo como 25 milhões de litros em 1991 para expressivos 240 milhões em 2003.

O principal vinho exportado é o produzido com a Chenin Blanc, seguido pelos vinhos à base de Chardonnay, com a Sauvignon Blanc ocupando o terceiro lugar. O consumo de vinhos no país em 2003 foi de 7,92 litros per capita ao ano, o menor em muitos anos, o que dá hoje ao país a 31a posição no ranking mundial.


Informações: tel. 3111-7000 e www.sescsp.org.br

Vinícola Campo Largo lança Promoção Copa com Vinho

A Vinícola Campo Largo inicia a Promoção Copa com Vinho, divulgada a partir do disparo de e-mails marketing a um mailing composto por mais de dez mil nomes, entre distribuidores, atacadistas, clientes das duas lojas da empresa (em Campo Largo e Santa Felicidade) e consumidores finais. Para participar, basta formular uma frase que relacione os produtos da Vinícola – Vinho Campo Largo, Vinho do Avô ou Quentão Campo Largo – à Copa do Mundo. As seis frases mais criativas serão premiadas com MP3 de 2 GB. “Com esta ação queremos ampliar os acessos ao novo site da empresa, reformulado pela agência Blu Comunicação”, explica Gioceli Escorsin, coordenadora de marketing da Vinícola Campo Largo. “Além disso, aproveitamos que a Copa acontece no inverno, período comercialmente favorável para nosso negócio, e divulgamos produtos típicos desta estação”.

A promoção é válida até 01/07, e, caso o Brasil vá à semifinal do campeonato, os seis ganhadores dos MP3s serão premiados também com kits de produtos da Vinícola Campo Largo.

Para participar da Promoção Copa com Vinho, basta acessar o site www.vinicolacampolargo.com.br, ler o regulamento e criar a sua frase.

Vinho x Câncer

Composto presente no vinho tem ação anticancerígena.


Com poder antioxidante, que podem reduzir as doenças cardiovasculares, o vinho agora tem outro dom: possui um composto capaz de induzir a morte de células cancerígenas. A conclusão é do Programa de Oncologia da UFRJ, que isolou a substância da bebida para estudá-la. A substância responsável no combate às células cancerígenas chama-se resvaratrol.

O resvaratrol está presente em mais de 70 alimentos, dentre eles a casca da uva e o amendoim. As plantas além de ter o nutriente, têm compostos bioativos que diminuem o risco do desenvolvimento de doenças crônicas, como câncer e diabetes. O ideal é consumir a substância regularmente. Apesar de estar presente na casca da uva, é no vinho tinto que o resvaratrol está mais solúvel.

Segundo os estudos, a substância tem efeito em células de alguns tipos de câncer, entre eles o de mama, próstata e pulmão. Tomar apenas uma taça de vinho não é suficiente para inibir a doença. Segundo os pesquisadores, o resvaratrol leva à morte natural células cancerígenas e regula os níveis de p53, uma proteína supressora do tumor. Quando maior o grupo do resvaratrol ingerido, mais rápido o câncer é atacado.

O composto é famoso por ser um antibiótico natural, anti-inflamatório e atua contra o diabetes e ataca a obesidade. A Organização Mundial de Saúde recomenda o consumo de 400 gramas desses alimentos por dia. Cerca de 30% dos casos de câncer têm origem na dieta inadequada. É um percentual maior do que o atribuído a fatores genéticos, que é de aproximadamente 20%.


Equipe Bem Star

Quinta do Portal entra no mercado dos vinhos verdes


OJE/Lusa

A Quinta do Portal, conhecida pelos seus vinhos do Douro e do Porto, acrescentou agora à sua oferta um vinho verde com a marca Trevo, feito "em associação com um produtor de referência" da região

Trata-se da primeira incursão desta sociedade vinícola fora do Douro, mas não a última. "Vamos continuar a alargar a nossa base de produtos fora da região", adiantou à agência Lusa um responsável da Quinta do Portal, recusando, porém, dar mais pormenores.


O Trevo, branco e rosé, começou a ser comercializado "há cerca de um mês" e direcciona-se sobretudo "para o mercado de exportação". Para começar, foram lançadas 50 mil garrafas deste novo vinho.


"Os nossos clientes, essencialmente a nível do mercado externo, manifestaram alguma apetência em ter um vinho verde seleccionado pela Quinta do Portal", acrescentou o responsável.


A Sociedade Quinta do Portal argumenta que os vinhos verdes "têm vindo a ganhar cada vez mais notoriedade, acompanhando uma tendência do consumidor para requerer vinhos com um teor alcoólico mais baixo".


A empresa associou-se a um produtor da sub-região do Sousa para lançar o Trevo, que utiliza castas como o Loureiro, Trajadura e Arinto (branco) e espadeiro (rosé).


"Já comercializamos outros vinhos não produzidos por nós, nomeadamente um espumante sob a marca Mural", disse.


A Quinta do Portal aposta também no enoturismo através de uma unidade própria, a Casa das Pipas, oferecendo um programa de dois dias durante 2010.


A Quinta do Portal é uma firma portuguesa, familiar e independente, que possui quatro propriedades com um total de 85 hectares, duas no concelho de Sabrosa e as outras no de Alijó, nas duas margens do rio Pinhão.


Em 2009, a empresa facturou 4,9 milhões de euros, 55% dos quais em Portugal.

Gaúchos da serra plantam uva de mesa


No Vale dos Vinhedos, região certificada e reconhecida como produtora de vinhos finos, começa a surgir uma "dissidência" entre os produtores de uva. A uva para vinho continua a representar a maior parcela dos plantios, afinal, a produção vinífera ali, trazida pelos imigrantes europeus, remonta a décadas.

Mas alguns produtores, embora não tenham deixado de lado a fruta, trocaram as variedades e a forma de cultivo, optando pela uva de mesa, vendida in natura e, em alguns casos, colhida no próprio pé, pelo consumidor. Já são 800 hectares cultivados sob plásticos, técnica que garante mais qualidade final e redução na aplicação de agrotóxicos. Há sete anos, segundo a Embrapa Uva e Vinho, eram apenas 50 hectares.

As variedades de mesa introduzidas na região são a itália, niagaras branca e rosada e rubi, que "roubam" o espaço da isabel e da bordeaux.

Os municípios de Caxias, Farroupilha, Flores da Cunha e Bento Gonçalves abrigam propriedades de no máximo meio hectare (5 mil metros quadrados) com as uvas de mesa, conforme o pesquisador Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho.

Diversificação. As principais razões para a expansão das variedades de mesa na Serra Gaúcha, conforme especialistas e produtores, são a necessidade de diversificação das propriedades e, principalmente, a demanda aquecida e o alto valor agregado dessas frutas. "O baixo valor pago pelo quilo da uva pelas vinícolas nas últimas safras tem obrigado os produtores a procurar uma alternativa de renda. E a remuneração da uva de mesa é muito maior", afirma o também pesquisador da Embrapa Henrique Pessoa dos Santos.

Conforme Santos, ao passo que o preço médio pago por quilo de uva comum fica próximo dos R$ 0,50, o quilo da uva de mesa chega a ser vendido por até R$ 5. "Muitos produtores vendem diretamente para o consumidor final, que vêm até o sítio para colher a uva. É um programa turístico", explica Santos. "De olho nessa possibilidade, muitos produtores aderem à uva de mesa", adiciona Botton.

Foi justamente por isso que o vinicultor Ismael Boff, do município de Caxias do Sul (RS), decidiu, quatro anos atrás, apostar no cultivo das uvas de mesa. Ele conta que, por 50 anos, sua família trabalhou somente com variedades de uvas próprias para a produção de vinho e suco. "Há alguns anos, porém, o preço dessas uvas têm sido muito baixos", diz Boff. "Passamos então a procurar uma alternativa mais lucrativa e, motivado pelo preço atrativo, decidi testar o plantio das uvas itália e rubi numa área pequena, de 3 mil metros quadrados".

Após quatro anos, Boff se diz satisfeito com os resultados, apesar de destacar que o manejo das uvas de mesa é diferente e os custos de produção, mais altos. Ele conta ainda que nos próximos anos pretende dobrar a área de cultivo. "O consumo tem crescido muito, o que leva muita gente a investir", diz.

Segundo os especialistas, o aumento no consumo está ligado à melhoria da qualidade das uvas de mesa produzidas na região, que por sua vez está ligada à adoção de uma técnica de cultivo muito comum na produção de morangos, introduzida na região há cerca de 15 anos: o cultivo protegido.

Plástico. Trata-se de instalar uma cobertura de plástico por cima dos parreirais. "O clima da Serra Gaúcha é muito úmido, o que favorece as pragas e obriga o produtor a utilizar muitos agrotóxicos", frisa Botton. "Com isso, a uva sempre aparecia entre as frutas com maior quantidade de resíduos, segundo os relatórios da Anvisa, e isso assustava o consumidor."

"Além disso, com a plasticultura você fica menos à mercê do tempo", afirma Valderez Formigueir, que há nove anos passou a cultivar uva itália em sua propriedade em Caxias do Sul (RS). Ele conta que, além do preço atrativo, pesou o fato de que na época não havia seguro para as lavouras de uva comum, o que aumentava muito os riscos de prejuízo. "Hoje, mais do que essa segurança, as uvas de mesa são uma alternativa para que o produtor não fique nas mãos das vinícolas", diz Formigueir.





O Estado de S.Paulo

domingo, 6 de junho de 2010

O vinho do país da Copa


Correio Braziliense - 05.06.2010

Uvas inusitadas, excelentes safras e Copa do Mundo. O que o mundo do vinho tem a ver com o maior evento do futebol ? Tudo. O país sede do mundial vem se destacando nos últimos anos como um respeitável fabricante da bebida.

Os enólogos da África do Sul não são meros produtores, mas inventores também. Eles se inspiraram nos franceses, cruzaram uvas clássicas e criaram um estilo próprio, que, segundo especialistas, vale a pena provar.



Os sul-africanos fabricam, anualmente, 800 milhões de litros de vinho, dos quais exporta 280 milhões, principalmente para os Estados Unidos. No Brasil, os rótulos vindos de lá ainda ocupam pouco espaço nas prateleiras das adegas, mercados e casas especializadas, mas a tendência é que o interesse dos brasileiros aumente. “Há três anos, começamos a receber bons rótulos de lá, e o público está começando a apreciar mais os vinhos sul-africanos”, comenta Odilio Ribeiro Lira, gerente da Adega do Vinho.

Os produtores sul-africanos são conhecidos pelo cruzamento de uvas importantes. A principal delas é a pinotage, uma fusão da pinot noir com a hermitage (hoje mais conhecida como cinsault). A mistura foi desenvolvida pelo professor Abraham Perold em 1925 e faz sucesso no mundo todo. “Dependendo do tipo da vinificação, da proposta do enólogo e da qualidade pontual da uva, são vinhos com sabor marcante, profundidade aromática e, em alguns casos, de longa guarda”, afirma Gutto Assunção, sommelier da Vintage Vinhos.

Outros destaques são as já bem conhecidas dos brasileiros shiraz, merlot e cabernet sauvignon, que trazem a combinação de aromas frutados e taninos maduros. No quesito uvas brancas, quem reina é a chenin blanc, também conhecida como steen e quase extinta no seu país de origem, a França. “Os melhores são oriundos de localizações privilegiadas e com muita incidência de raios solares. O produtor que visa à quantidade obterá um vinho mediano sem grandes qualidades. Fatores como frio excessivo e chuva trarão ao vinho uma predominância da acidez”, explica o sommelier. “Outra importante característica dessa uva é que ela é suscetível ao Botrytis cinerea, fungo causador do apodrecimento natural da uva e, consequentemente, da elaboração de vinhos doces.”

Entre as brancas, destacam-se também a chardonnay e a sauvignon blanc. “As características relevantes dos brancos sul-africanos dependem da casta utilizada. A chardonnay, por exemplo, é uma casta que apresenta vinhos de grande estrutura, encorpado e muito seco. Em alguns casos, com uma certa mineralidade”, comenta Assunção.

É comum encontrar rótulos da África do Sul com duas ou mais uvas, principalmente com a mistura de cabernet, merlot e shiraz. “O clima de lá é muito parecido com o do Chile. Eles produzem bons cortes, mas não são as uvas que se mesclam antes da produção, e sim a porcentagem dos vinhos já prontos, medida com exatidão pelo produtor, que cria uma bebida perfeita”, comenta Paulo Kunzler, sommelier da Zahil. Com uma gastronomia diversificada e cheia de especiarias, os vinhos sul-africanos combinam muito bem com a culinária brasileira. “As sugestões mais confiáveis são aquelas em que você segue o padrão normal, ou seja, para acompanhar aves, peixes e a culinária asiática, os brancos são os mais apropriados. Nos quesitos carne vermelha e caça, os tintos cumprem a rigor o seu papel, podendo até harmonizar com carnes brancas, dependendo da sua estrutura”, sugere Assunção. A maior região vinícola naquele país é a de Stellenbosch, que fica na Província do Cabo Ocidental. Segundo Kunzler, no Brasil é possível encontrar excelentes rótulos. “Você encontra vinhos baratos, mas os melhores custam no mínimo R$100. É sempre bom começar pelos mais simples até chegar aos top. E experimentar sempre.”

Na província do Cabo Ocidental, entusiasmo pelo futebol é menor




O Globo - 05-06-2010

STELLENBOSCH - Quinze anos após Nelson Mandela ter usado a vitória da África do Sul no rúgbi como ferramenta para promover a reconciliação da maioria negra com os brancos, por meio do esporte, agora, é a minoria que começa a se engajar no megaevento número 1 no coração de 79% da raça dominante na África do Sul. Na província do Cabo Ocidental, a única das nove governada pela Aliança Democrática (AD), partido de oposição dos brancos, o entusiasmo pelo Mundial é menor, mas já desperta interesse entre os que têm rúgbi e críquete como esportes prediletos.

Até mesmo na pacata Stellenbosch, famosa por seus vinhos e suas universidades, o futebol virou tema das conversas em africâner, o idioma das ruas, das famílias e do trabalho.

- Em Joburg, as pessoas passam mais vibração, mas, na Cidade do Cabo, elas são mais calmas. Não têm o ritmo frenético deles. Na hora certa, a vibração vai aparecer - explica Rijk Melck, o Ronnie, trocando o africâner pelo inglês durante a entrevista.

Diretor da Fazenda Muratie, com 150 anos de tradição na produção de vinhos na região, Ronnie não é fã de futebol, mas já se contagiou pelo clima da Copa. Acostumado a acompanhar os jogos do Stormers - vice-campeão do Super 14 de Rúgbi --, o vinicultor juntou um grupo de 16 amigos brancos e comprou ingressos para França x Uruguai, no dia 11, o primeiro jogo do Mundial na Cidade do Cabo, distante apenas 43 quilômetros.

- Não poderia ficar fora disso. Gostaria muito de ver um jogo dos Bafana aqui, mas eles não atuarão na Cidade do Cabo na primeira fase. Espero que avancem - diz, em meio aos barris de vinho e brindando com uma taça de Pinot Noir, safra 2008, produzido na Muratie.

Localizada na zona rural de Stellenbosch, a Fazenda Muratie vive o clima de Copa. Ronnie deu aos funcionários gorros com as cores e os nomes de países participantes do evento. Mais uma proteção durante o inverno para quem trabalha nos campos, levando o ambiente do Mundial para uma área onde o silêncio e o verde são marcas registradas.

Inglês é o terceiro idioma

Todos os empregados são coloured (mulatos), descendentes de uniões entre brancos e negros. Conversam entre eles e com o patrão em africâner. Às vezes, precisam procurar as palavras em inglês. Principalmente, quando encontram visitantes. O inglês é o terceiro idioma mais falado na província do Cabo Ocidental, atrás do africâner e do xhosa.

- Seria emocionante ir a um jogo da seleção brasileira, mas o ingresso é caro. Vamos ver a festa pela TV - resigna-se Florina Oliphant, de 25 anos, usando um gorro do Brasil.

No sexto mês de gravidez de uma menina, que formará o casal com o menino de 5 anos, Florina nasceu e cresceu na Muratie, onde continua trabalhando nas parreiras, com a esperança de que a Copa traga um legado de melhorias para o país. Não é a única trabalhadora a pensar assim.

- Tanto investimento precisa servir para algo. É mais esperança para nossas crianças, no futuro. A África do Sul precisa muito de saúde e educação - diz Kathy Fredricks, usando seu gorro da África do Sul, ao lado do marido, Hennie, que adotou a Alemanha como segunda seleção preferida.

Na Muratie, diferentemente da enorme maioria das fazendas do país, os 18 funcionários do quadro fixo têm assistência médica, e o patrão ainda contribui com 85% de um sistema de previdência para os empregados. Também há auxílio de 15% para a educação. Durante a Copa, o grupo vai se reunir para assistir pela TV aos jogos dos Bafana. E torcer para que o megaevento inspire o time a mostrar ao mundo um país menos desigual, construindo um futuro melhor.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Brinde ao Paladar - Diário do Grande ABC

Encravada na península sul-africana, há uma concentração de fazendas produtoras de vinho que são de causar espanto a qualquer sommelier experiente. Guardadas as influências europeias em grande parte dos sabores disponíveis, são vinícolas com identidade própria, um know how que coloca a África do Sul entre os nove maiores países produtores de vinho do planeta - são quase 710 milhões de litros produzidos anualmente.

Tudo começa pela sofisticação para receber os tasters, traço presente desde os belos jardins que abrem os estabelecimentos até as adegas, com atendentes qualificados para a função. Um lugar mais bonito que o outro.

O melhor de tudo é que, mesmo com todo o clima europeu e a beleza dos lugares, os vinhos são bem baratos. Há garrafas de boa qualidade que custam a partir de 24 randes (pouco mais de R$ 6).

A reportagem esteve em pelo menos quatro winelands, cortando as paisagens mais belas do Oeste da península sul-africana. Pagamos 250 randes (R$ 59) por pessoa pelo passeio padrão com guia turístico, incluídas as taxas de degustação - que custam a partir de 20 randes (menos de R$ 5) e dão direito a cinco tipos de vinho, em média -, o deslocamento de carro e a vista, que não tem preço.

Mas o que dizem por aqui é que é preciso conhecer pelo menos umas 20 fazendas para se ter real dimensão da extensa carta de vinhos sul-africana.

No roteiro que começamos pela manhã, a primeira agradável surpresa foi Fairview, cuja produção data de 1693. São mais de 20 opções para os degustadores, entre vinhos brancos, de sobremesa, tintos, além das edições limitadas.

Provamos vinhos brancos como o Weissir Riesling (44 randes, ou R$ 10) e o Viognier (70 randes, ou R$ 16,50), com aromas de pêssego. Também experimentamos o Pinotage Viognier (tinto seco de 62 randes, ou R$ 14,60), que é imperativo para qualquer visitante, já que a uva Pinotage é exclusiva da África do Sul. É ideal para acompanhar carnes e cream cheese, segundo o tasting host Jesse.

Mas se você for a Fairview, não se contente com os vinhos. Reveze seus goles com boas salpicadas de queijos como o roché, 100% com leite de cabra, e o crottin. Vá com calma ao queijo camembert, cujo gosto é bem forte e esquisito.

Quer uma combinação perfeita? Tome bom vinho de sobremesa, como o sweet red (47 randes a garrafa, ou R$ 11) acompanhado do queijo blue tower. Dá vontade de sair de lá com centenas de pacotes de queijo e garrafas...

Vinícolas de Stellenbosch

Para fechar bem nosso passeio, nada melhor do que a famosa Stellenbosch e suas elegantes vinícolas. Na de Morgenhof, entre as 12 opções, compensa experimentar e levar o vinho da casa, Morgenhof Estate, cuja garrafa custa 180 randes (R$ 42,50). Bem encorpado e com aromas combinados de amoras e ameixas, o vinho é uma experiência palatal e tanto. Debaixo de árvores e caramanchões, os visitantes podem almoçar por ali mesmo e desfrutar de ambiente extremamente calmo - difícil é querer ir embora.

Já na vinícola de Spier - que ainda por cima está ao lado do restaurante Moyo''s e tem jardins perfeitos para fazer piquenique -, você recebe um cartão no qual assinala o que vai experimentar de acordo com sua personalidade - ou o contrário. É uma brincadeira interessante para ajudar a escolher entre os mais de 20 vinhos, que custam entre 24 e 148 randes (R$ 5,70 e R$ 35). Se você gostar mais do Chardonnay, por exemplo, são grandes as chances de sua personalidade ser independente e carismática. E se o que mais te agradar for o Sauvignon Blanc, sinal de que é pessoa decidida, charmosa e cheia de energia.

A inebriante Franschhoek

Uma bandeira da África do Sul flameja no alto e os portões se abrem ao lado da rodovia, na belíssima e bucólica região de Franschhoek. A estância, a 83 quilômetros da Cidade do Cabo, é famosa pela produção de centenas de marcas e combinações diferentes. Estamos em Graham Beck, nossa segunda estação na rota dos vinhos. Ao lado do estacionamento, jardins e pequenos caminhos para pedestres entre as árvores e muitos esquilos correndo pelo descampado.

Antes de chegar à recepção da vinícola - uma mansão com ar de realeza -, em vez de pedrinhas, os degustadores pisam sementes de pêssego e ainda se deparam com dois enormes espelhos d''água vigiados por estátuas de bronze.

Dentro da sala de degustação, toda envidraçada e com confortáveis sofás, o visitante recebe menu com 30 alternativas de vinhos, que custam entre 35 e 195 randes (de R$ 8 a R$ 46) por garrafa. Uma mixaria... Difícil é escolher as cinco goladas. Dentre as provadas pela reportagem, destaque para o Graham Beck Viognier (75 randes, ou R$ 18), ideal para acompanhar peixe e frango. Não deixe de experimentar o Rhona Muscadel, vinho para sobremesa bem suave e que custa apenas 55 randes (R$ 13).

Hora do almoço. Na pequena vila de Franschhoek, com seus cerca de 13 mil habitantes e dezenas de restaurantes de comida francesa e italiana, uma rápida refeição no elegante Bicccs. Momento perfeito ao ar livre e debaixo de vários salgueiros. Descanso com direito à Windhoek, cerveja da Namíbia cuja long neck custa 14 randes (R$ 3,30). Deliciosa...

Antes de partir, passada no monumento erguido em 1943 em homenagem aos franceses que ocuparam a região. A instalação é formada por três arcos, que se completam com um sol e uma cruz.

Por fim, saia da cidade e aviste tudo de cima da colina. Repare nos lagos bem azuis e nos telhados cinzas das casas. Vire para trás. Lá está a montanha, enorme e imponente

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vin de Constance



O Vin de Constance ganhou adeptos como Otto von Bismarck, nobre prussiano que unificou a Alemanha, os escritores ingleses Charles Dickens e Jane Austen e uma porção de czares russos.
Mas o fã mais notável foi Napoleão Bonaparte (na França, atualmente, ganhou apelido de Vin de Napoleon), que quando exilado na Ilha de Elba, após ser derrotado na Batalha das Nações, mandava importar 30 garrafas deste vinho por mês.
Assim como toda indústria produtora de vinhos sulafricana no século 19, a fazenda produtora de Vin de Constance, (próxima a Cidade do Cabo) teve suas plantações arrasadas pela filoxera, que destruiu também os vinhos europeus. O prejuízo foi enorme e a propriedade foi vendida para o governo sulafricano. A produção de vinhos foi interrompida.
Em 1980, uma família sulafricana comprou parte da propriedade e, interessada em retomar a produção, contratou o enólogo Chris Offer, que estudou relatos de viajantes que já haviam provado o vinho, e descobriu a exata variedade da uva empregada, a Muscat de Frontignan.
Novas vinhas foram plantadas em 1982 e as primeiras uvas colhidas 4 anos depois. O vinho não é fortificado, estagiou então em 18 meses em barris, e depois foi lançado com 6 meses de barris de carvalho, com o nome de Klein Constantia, em garrafas réplicas das históricas, de 500 ml.

Guia Platter's


O grande guia dos vinhos sulafricanos, editado há 30 anos, é o companheiro confiável para identificar vinícolas, safras, uvas e os melhores vinhos.
Os vinhos sulafricanos estão em plena mutação, a estatística de uvas plantadas muda constantemente, e novos terroirs estão sendo explorados.
A denominação por origem é recente no país, e o sistema de classificação por regiões está em processo de consolidação. O vinho da África do Sul é interessante e rico, está descobrindo sua identidade entre o Velho Mundo, com vinhos estruturados e de corpo, com vinhos do Novo Mundo, leves e com sabor acentuado da uva.
Certamente este país será um dos "players" de destaque no mundo do vinho nas próximas décadas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Chenin Blanc da África do Sul


Chenin Blanc Simonsig

Originalmente, o domínio da Chenin Blanc no Cabo devia-se à sua adaptação à produção de conhaque.

Depois de uma queda constante na área total de cultivo, em 1.999 fãs locais fundaram a Chenin Blanc Association (www.chenin.co.za) para resgatá-la, associado ao interesse de produtores locais.

A partir de então, grandes produtores, desenvolveram um novo estilo, diferente daquele dos vinhos de produção em massa, em que a cepa apresenta o verdadeiro caráter varietal: delicadeza com concentração.

Premiação Espumante Kaapse Vonkel Brut Simonsig


Estamos orgulhosos de informar que Simonsig Kaapse Vonkel Brut ganhou primeiro e segundo lugares na revista Wine Amorim Cork Cap Classique Challenge 2009.

Méthode Cap Classique (MCC) é a denominação utilizada por produtores sulafricanos para descrever seu estilo de fazer espumantes. "Méthode" e "Classique" indicam o método clássico de Champagne, enquanto que "Cap" sinaliza a origem sul-africana.

Muitos são feitos de Chardonnay e Pinot Noir, as cepas clássicas de Champagne, alguns usam o Pinot Meunier, e outros incorporam um toque de Chenin Blanc ou Pinotage.