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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Na batalha do vinho, Alice Feiring enfrenta Parker

Em São Paulo - État de São Paulo, Brésil
"The Battle for Wine and Love or how I Saved the World from Parkerization".
"A Batalha do Vinho e do Amor ou como Salvei o Mundo da Parkerização", de Alice Feiring, é um borbulhante e inteligente passeio pelo mundo do vinho. A jornalista americana, que trabalhou para o The New York Times, não poupa ninguém - principalmente ela mesma.
Os amantes brasileiros de vinho devem procurar o livro em inglês ou francês enquanto esperam a tradução para o português. Alice Feiring é a anti-Robert-Parker. Não confia nos vinhos modelados pelas manipulações que seduzem os enólogos modernos: emprego de osmose inversa, micro-oxigenação, acréscimo de taninos, enzimas, leveduras selecionadas e maturação em barris de carvalho novo.

domingo, 20 de junho de 2010

BEBIDAS APRESENTAM MAIOR INCIDÊNCIA DE IMPOSTOS NOS PRODUTOS DAS FESTAS JUNINAS


Escrito por Jose Bonamigo   
Sex, 18 de Junho de 2010 17:32
Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT demonstra que cachaça, quentão, cerveja e vinho são recordistas de tributos.

O mês de junho, tradicional pelas comemorações de São João, leva milhares de pessoas a se divertirem e consumirem produtos nas festas juninas realizadas em todo o Brasil. Entretanto, o que poucos sabem é que esse evento popular está carregado de tributos, embutidos nos produtos. As bebidas são as campeãs com a cachaça liderando o ranking com 81,87%, seguida pelo quentão com 61,56%, cerveja com 54,80% e vinho com 54,73%.
Os fogos de artifícios, produto muito utilizado para comemorar a tradicional festa brasileira, também possui alto índice de impostos com 61,56%. Em relação a 2009 apenas o vinho sofreu reajuste, passando de 52,50% para 54,73%, motivado pelo aumento da margem de lucro das indústrias produtoras. “Apesar da estabilidade dos produtos de um ano para o outro o percentual de tributos cobrados ainda é muito alto e pesa na despesa do brasileiro, que não consegue se livrar da mordida do Leão”, comenta o presidente do Instituo Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, João Eloi Olenike.
Confira abaixo a tributação dos principais produtos consumidos:

Amendoim
36,54%
Cachaça
81,87%
Cachorro quente
15,28%
Camisa Xadrez
34,67%
Canjica
35,38%
Cerveja (lata)
54,80%
Cocada
36,54%
Fogos de artifício
61,56%
Fósforos
33,87%
Milho cozido
18,75%
Paçoca
36,54%
Pé de Moleque
36,54%
Pinhão
24,07%
Pipoca (milho)
34,82%
Quentão
61,56%
Refrigerante (lata)
45,80%
Vinho
54,73%
* Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT

domingo, 6 de junho de 2010

O vinho do país da Copa


Correio Braziliense - 05.06.2010

Uvas inusitadas, excelentes safras e Copa do Mundo. O que o mundo do vinho tem a ver com o maior evento do futebol ? Tudo. O país sede do mundial vem se destacando nos últimos anos como um respeitável fabricante da bebida.

Os enólogos da África do Sul não são meros produtores, mas inventores também. Eles se inspiraram nos franceses, cruzaram uvas clássicas e criaram um estilo próprio, que, segundo especialistas, vale a pena provar.



Os sul-africanos fabricam, anualmente, 800 milhões de litros de vinho, dos quais exporta 280 milhões, principalmente para os Estados Unidos. No Brasil, os rótulos vindos de lá ainda ocupam pouco espaço nas prateleiras das adegas, mercados e casas especializadas, mas a tendência é que o interesse dos brasileiros aumente. “Há três anos, começamos a receber bons rótulos de lá, e o público está começando a apreciar mais os vinhos sul-africanos”, comenta Odilio Ribeiro Lira, gerente da Adega do Vinho.

Os produtores sul-africanos são conhecidos pelo cruzamento de uvas importantes. A principal delas é a pinotage, uma fusão da pinot noir com a hermitage (hoje mais conhecida como cinsault). A mistura foi desenvolvida pelo professor Abraham Perold em 1925 e faz sucesso no mundo todo. “Dependendo do tipo da vinificação, da proposta do enólogo e da qualidade pontual da uva, são vinhos com sabor marcante, profundidade aromática e, em alguns casos, de longa guarda”, afirma Gutto Assunção, sommelier da Vintage Vinhos.

Outros destaques são as já bem conhecidas dos brasileiros shiraz, merlot e cabernet sauvignon, que trazem a combinação de aromas frutados e taninos maduros. No quesito uvas brancas, quem reina é a chenin blanc, também conhecida como steen e quase extinta no seu país de origem, a França. “Os melhores são oriundos de localizações privilegiadas e com muita incidência de raios solares. O produtor que visa à quantidade obterá um vinho mediano sem grandes qualidades. Fatores como frio excessivo e chuva trarão ao vinho uma predominância da acidez”, explica o sommelier. “Outra importante característica dessa uva é que ela é suscetível ao Botrytis cinerea, fungo causador do apodrecimento natural da uva e, consequentemente, da elaboração de vinhos doces.”

Entre as brancas, destacam-se também a chardonnay e a sauvignon blanc. “As características relevantes dos brancos sul-africanos dependem da casta utilizada. A chardonnay, por exemplo, é uma casta que apresenta vinhos de grande estrutura, encorpado e muito seco. Em alguns casos, com uma certa mineralidade”, comenta Assunção.

É comum encontrar rótulos da África do Sul com duas ou mais uvas, principalmente com a mistura de cabernet, merlot e shiraz. “O clima de lá é muito parecido com o do Chile. Eles produzem bons cortes, mas não são as uvas que se mesclam antes da produção, e sim a porcentagem dos vinhos já prontos, medida com exatidão pelo produtor, que cria uma bebida perfeita”, comenta Paulo Kunzler, sommelier da Zahil. Com uma gastronomia diversificada e cheia de especiarias, os vinhos sul-africanos combinam muito bem com a culinária brasileira. “As sugestões mais confiáveis são aquelas em que você segue o padrão normal, ou seja, para acompanhar aves, peixes e a culinária asiática, os brancos são os mais apropriados. Nos quesitos carne vermelha e caça, os tintos cumprem a rigor o seu papel, podendo até harmonizar com carnes brancas, dependendo da sua estrutura”, sugere Assunção. A maior região vinícola naquele país é a de Stellenbosch, que fica na Província do Cabo Ocidental. Segundo Kunzler, no Brasil é possível encontrar excelentes rótulos. “Você encontra vinhos baratos, mas os melhores custam no mínimo R$100. É sempre bom começar pelos mais simples até chegar aos top. E experimentar sempre.”

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Brinde ao Paladar - Diário do Grande ABC

Encravada na península sul-africana, há uma concentração de fazendas produtoras de vinho que são de causar espanto a qualquer sommelier experiente. Guardadas as influências europeias em grande parte dos sabores disponíveis, são vinícolas com identidade própria, um know how que coloca a África do Sul entre os nove maiores países produtores de vinho do planeta - são quase 710 milhões de litros produzidos anualmente.

Tudo começa pela sofisticação para receber os tasters, traço presente desde os belos jardins que abrem os estabelecimentos até as adegas, com atendentes qualificados para a função. Um lugar mais bonito que o outro.

O melhor de tudo é que, mesmo com todo o clima europeu e a beleza dos lugares, os vinhos são bem baratos. Há garrafas de boa qualidade que custam a partir de 24 randes (pouco mais de R$ 6).

A reportagem esteve em pelo menos quatro winelands, cortando as paisagens mais belas do Oeste da península sul-africana. Pagamos 250 randes (R$ 59) por pessoa pelo passeio padrão com guia turístico, incluídas as taxas de degustação - que custam a partir de 20 randes (menos de R$ 5) e dão direito a cinco tipos de vinho, em média -, o deslocamento de carro e a vista, que não tem preço.

Mas o que dizem por aqui é que é preciso conhecer pelo menos umas 20 fazendas para se ter real dimensão da extensa carta de vinhos sul-africana.

No roteiro que começamos pela manhã, a primeira agradável surpresa foi Fairview, cuja produção data de 1693. São mais de 20 opções para os degustadores, entre vinhos brancos, de sobremesa, tintos, além das edições limitadas.

Provamos vinhos brancos como o Weissir Riesling (44 randes, ou R$ 10) e o Viognier (70 randes, ou R$ 16,50), com aromas de pêssego. Também experimentamos o Pinotage Viognier (tinto seco de 62 randes, ou R$ 14,60), que é imperativo para qualquer visitante, já que a uva Pinotage é exclusiva da África do Sul. É ideal para acompanhar carnes e cream cheese, segundo o tasting host Jesse.

Mas se você for a Fairview, não se contente com os vinhos. Reveze seus goles com boas salpicadas de queijos como o roché, 100% com leite de cabra, e o crottin. Vá com calma ao queijo camembert, cujo gosto é bem forte e esquisito.

Quer uma combinação perfeita? Tome bom vinho de sobremesa, como o sweet red (47 randes a garrafa, ou R$ 11) acompanhado do queijo blue tower. Dá vontade de sair de lá com centenas de pacotes de queijo e garrafas...

Vinícolas de Stellenbosch

Para fechar bem nosso passeio, nada melhor do que a famosa Stellenbosch e suas elegantes vinícolas. Na de Morgenhof, entre as 12 opções, compensa experimentar e levar o vinho da casa, Morgenhof Estate, cuja garrafa custa 180 randes (R$ 42,50). Bem encorpado e com aromas combinados de amoras e ameixas, o vinho é uma experiência palatal e tanto. Debaixo de árvores e caramanchões, os visitantes podem almoçar por ali mesmo e desfrutar de ambiente extremamente calmo - difícil é querer ir embora.

Já na vinícola de Spier - que ainda por cima está ao lado do restaurante Moyo''s e tem jardins perfeitos para fazer piquenique -, você recebe um cartão no qual assinala o que vai experimentar de acordo com sua personalidade - ou o contrário. É uma brincadeira interessante para ajudar a escolher entre os mais de 20 vinhos, que custam entre 24 e 148 randes (R$ 5,70 e R$ 35). Se você gostar mais do Chardonnay, por exemplo, são grandes as chances de sua personalidade ser independente e carismática. E se o que mais te agradar for o Sauvignon Blanc, sinal de que é pessoa decidida, charmosa e cheia de energia.

A inebriante Franschhoek

Uma bandeira da África do Sul flameja no alto e os portões se abrem ao lado da rodovia, na belíssima e bucólica região de Franschhoek. A estância, a 83 quilômetros da Cidade do Cabo, é famosa pela produção de centenas de marcas e combinações diferentes. Estamos em Graham Beck, nossa segunda estação na rota dos vinhos. Ao lado do estacionamento, jardins e pequenos caminhos para pedestres entre as árvores e muitos esquilos correndo pelo descampado.

Antes de chegar à recepção da vinícola - uma mansão com ar de realeza -, em vez de pedrinhas, os degustadores pisam sementes de pêssego e ainda se deparam com dois enormes espelhos d''água vigiados por estátuas de bronze.

Dentro da sala de degustação, toda envidraçada e com confortáveis sofás, o visitante recebe menu com 30 alternativas de vinhos, que custam entre 35 e 195 randes (de R$ 8 a R$ 46) por garrafa. Uma mixaria... Difícil é escolher as cinco goladas. Dentre as provadas pela reportagem, destaque para o Graham Beck Viognier (75 randes, ou R$ 18), ideal para acompanhar peixe e frango. Não deixe de experimentar o Rhona Muscadel, vinho para sobremesa bem suave e que custa apenas 55 randes (R$ 13).

Hora do almoço. Na pequena vila de Franschhoek, com seus cerca de 13 mil habitantes e dezenas de restaurantes de comida francesa e italiana, uma rápida refeição no elegante Bicccs. Momento perfeito ao ar livre e debaixo de vários salgueiros. Descanso com direito à Windhoek, cerveja da Namíbia cuja long neck custa 14 randes (R$ 3,30). Deliciosa...

Antes de partir, passada no monumento erguido em 1943 em homenagem aos franceses que ocuparam a região. A instalação é formada por três arcos, que se completam com um sol e uma cruz.

Por fim, saia da cidade e aviste tudo de cima da colina. Repare nos lagos bem azuis e nos telhados cinzas das casas. Vire para trás. Lá está a montanha, enorme e imponente

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vin de Constance



O Vin de Constance ganhou adeptos como Otto von Bismarck, nobre prussiano que unificou a Alemanha, os escritores ingleses Charles Dickens e Jane Austen e uma porção de czares russos.
Mas o fã mais notável foi Napoleão Bonaparte (na França, atualmente, ganhou apelido de Vin de Napoleon), que quando exilado na Ilha de Elba, após ser derrotado na Batalha das Nações, mandava importar 30 garrafas deste vinho por mês.
Assim como toda indústria produtora de vinhos sulafricana no século 19, a fazenda produtora de Vin de Constance, (próxima a Cidade do Cabo) teve suas plantações arrasadas pela filoxera, que destruiu também os vinhos europeus. O prejuízo foi enorme e a propriedade foi vendida para o governo sulafricano. A produção de vinhos foi interrompida.
Em 1980, uma família sulafricana comprou parte da propriedade e, interessada em retomar a produção, contratou o enólogo Chris Offer, que estudou relatos de viajantes que já haviam provado o vinho, e descobriu a exata variedade da uva empregada, a Muscat de Frontignan.
Novas vinhas foram plantadas em 1982 e as primeiras uvas colhidas 4 anos depois. O vinho não é fortificado, estagiou então em 18 meses em barris, e depois foi lançado com 6 meses de barris de carvalho, com o nome de Klein Constantia, em garrafas réplicas das históricas, de 500 ml.